quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Legenda e charge da semana


MANCHETES DO DIA

 -  Canindé admite falhas e garante que multas duplicadas serão canceladas


SMTT encontra erro em radar e cancela multas
Multas canceladas


Páscoa terá 23 vagas temporárias


 Suspeito de chacina investigado por comprar  habeas corpus


 Oposição teme efeito eleitoral da intervenção

Sem reforma, governo terá que cortar R$ 14 bi no próximo ano

 Sem verba certa, plano quer equipar polícia do RJ


  Intervenção inicia combate à corrupão nos presídios

Crônica quase morta da República


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Em carta, Sarney diz até logo ao Amapá, afirmando ser inventor do Estado

  

Por meio de carta aberta, intitulada 'Ao povo do Amapá', o ex-senador José Sarney disse um 'até logo' ao povo que lhe deu três mandatos. Na véspera de completar oficialmente 88 anos de idade, o cacique do PMDB transferiu seu domicílio eleitoral para o Maranhão.

Inicia a carta ao povo dirigindo-se a ‘amigos e amigas do nosso querido Estado do Amapá” e prossegue asseverando que “todos sabem” ser ele possuidor de residência em Brasília, no Maranhão e no Amapá, mas que achou ser seu dever transferir seu título eleitoral para onde reside a família, que não é formada apenas por ele e a mulher, “mas também por filhos, netos, bisnetos, além de onze irmãos, dos quatorze que possuía”.

Na manifestação pública, o político maranhense assinala que desde a eleição passada decidira por não mais concorrer a mandato eletivo. Desobrigado de votar, Sarney diz na carta que a decisão deve-se à dificuldade em atender “as obrigações com o Estado do Amapá".

Diz ainda que sua saída do cenário político do Amapá permitirá a abertura de espaço para novos nomes e oportunidade para lançamento de candidaturas dentro do grupo político que sempre o apoiou. Afirma que aparece em “grande preferência” nas pesquisas eleitorais no Amapá”, mas que não quer manter falsas expectativas, liberando seus correligionários para buscar “novas oportunidades”.
           
No final repete o clássico refrão: "Eu não digo adeus, digo até logo, afagando seus 'amigos e amigas' afirmando que jamais romperá seus laços com o Amapá, independente do título eleitoral. E, conclui no melhor estilo Sarney, afirmando ter '"consciência de que o Amapá hoje tem um grande futuro e está preparado para ser um importante Estado", e ter aberto portas para a juventude do Amapá que não tinha horizontes quando ele chegou por lá.

ALEXANDRE FREELAND - Se Elsinho põe fé no ‘vampiro’, adivinhe quem entra com o sangue


RIO — Às favas todos os escrúpulos da marquetagem política, a reveladora entrevista de Elsinho Mouco, homem de comunicação do presidente Michel Temer, ao colunista Bernardo Mello Franco, do GLOBO, expôs à luz do sol aquilo que se comentava das biroscas do Complexo do Alemão aos clubes gourmets de Brasília: tem um quê de motivação eleitoral na intervenção federal no Rio de Janeiro.



     Michel Temer era um morto-vivo. Pelo menos até o crepúsculo da Quarta-Feira de Carnaval, como apontavam seus gráficos de popularidade lembrando o eletrocardiograma de um paciente terminal. Das Cinzas, ressuscitou-se o pré-candidato à reeleição. Ainda que Elsinho agora jure de pés juntos, beijando a cruz, que é tudo da cabeça dele e que o Palácio do Planalto nada tem a ver com essas maquinações, o marqueteiro está tão animado que imagina até que o Vampirão da Paraíso do Tuiuti possa se reverter em uma imagem positiva.

     Enquanto o governo crava uma estaca no peito da Reforma da Previdência, convém lembrar de um outro vampiro que talvez deixe Elsinho um pouco menos empolgado: Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, celebrizado na TV por Chico Anysio.

     Para Bento Carneiro, tudo dava errado na hora de tentar chupar sangue. Nem mesmo com a ajuda de seu fiel escudeiro, o corcunda Calunga — uma espécie de Elsinho do sobrenatural —, o vampiro brasileiro conseguia dar sua mordidinha.

     Mas Bento, talvez justamente por ser brasileiro, não desistia nunca. E destilava seu rancor em relação aos que duvidavam de seus poderes, com os bordões:
“E você aí, que tá me olhando, vou te pichar uma mardição! Eu venho do aquém do além da donde veve os mortos! Vocês que se atrevam a debochar de eu, depois das doze badaladas notúrnicas!”.

E finalizava com o mote mais ameaçador:
“Minha vingança sará malígrina!”

     Michelstófolis já provou ser capaz de vinganças ‘malígrinas’ contra ex-aliados. Sobre isso, Dilma Rousseff tem muita história para contar. Costuma agir como criatura da noite, recebendo empresários e autoridades às sombras e fora da agenda. E deu mais de uma demonstração de que não morre facilmente, ainda que seu epitáfio tenha sido proclamado diversas vezes em documentos da PF e do MPF.

     Depois que o Frankenstein da Beija-Flor levou o título na Sapucaí criticando corrupção sob as bênçãos do patrono bicheiro, que ninguém ouse duvidar da força do Bento Carneiro do Distrito Federal. Para os céticos, ele também tinha uma praga:
"Num creu neu, Calunga, se finou-se!"

     Com bruxas ou sem, com candidatura ou não, existe apenas uma certeza até agora: nessa história de terror que vive o Rio, quem tem dado o sangue diariamente é a população, incluindo os policiais que tombam em serviço ou de folga. Só na mais recente guerra da Rocinha, passa de 30 o número de mortos. Em respeito a eles e a todas as vítimas desses meses de desgoverno, que o plano de intervenção não passe de mera obra de ficção. Porque comédia, certamente não é.