sexta-feira, 28 de março de 2014

Belém (PA): Antonio Lemos, o maranhense que construiu a cidade eterna

   

    Uma exposição em duas salas no Museu de Arte de Belém, MABE, ressuscita a figura lendária de um maranhense: Antonio José de Lemos - A Ressignificação do Mito (1913-2013). Nascido em São Luís, Lemos foi administrador (intendente) da cidade de Belém do Pará por 14 anos. Neste período, entre o final do século XIX e início do século XX, transformou a cidade e suja em uma das mais aprazíveis  aos “olhos do mundo”, como o destaca a historiadora Maria José Sarges.

    Antonio Lemos só tinha o ensino médio, concluído no Liceu.  É reconhecido como o melhor administrador da historia de quase 4 quatro séculos de Belém. Usufrui a posição de insuperável urbanizador da cidade.

    Um outro maranhense, Humberto de Campos,  foi um dos seus principais auxiliares, se espantava . Ele foi responsável pela transformação do Código de Postura da Cidade em Código de Política Municipal com ações previstas para elevar o bem estar da população. O fausto período da borracha lastreou economicamente sua administração.

    Intendente municipal   de Belém a partir de 1897, Antonio Lemos  percorreu uma trajetória política que desembocou em sua execração pública em agosto de 1912, quando trabalhadores incendiaram sua casa e o fizeram fugir “de pijama” para o Rio de Janeiro. O estopim da revolta foi a Empresa Americana de Veículos, concessionária da Intendência.
    Antes presidiu o importante Partido Republicano Paraense e foi proprietário de A Província do Pará que circulou até  a década de 80 do século passado. Protetor das artes e dos artistas se cercou de talentos como Bendito Calixto, Theodoro Braga, Emilio Goeldi,  e outros.
    Ao assumir a intendência decidiu que a cidade de Belém seria uma “petit Paris”. Nessa época as epidemias davam o titulo à capital paraense como “cidade da morte”, adensada pela chegada da peste em 1903. À cruzada higienista somou-se a empreitada do embelezamento urbanístico, proibindo moradores a apanhar mangas com “bode”, jogar dejetos no rio e assim por diante. Construiu então praças, quiosques, um refinado necrotério e boulevares, substituição dos bondes puxados por mula por elétricos, reurbanização do Bosque Rodrigues Alves com construção de castelos, lagos, etc, dentre tantas outras obras perpetuadas na cidade.
    Nascido em 17 de dezembro de 1843,  Antonio José de Lemos ingressou na Marinha aos 17 anos de idade em São Luís como escrevente de onde partiu na canhoneira “Ipiranga”. Daí sua vida tomou outro rumo. Participou da Guerra do Paraguai. Faleceu em 2 de outubro de 1913. Somente 70 anos depois os restos mortais do intendente foram transferidos do cemitério São João Batista para repousar no Palácio Antonio Lemos, na cidade velha de Belém. 

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